Coronavírus: seis pessoas que entraram em contato com paciente de Barra Mansa são monitoradas
07/03/2020 14:23 em Novidades

BARRA MANSA — A Secretaria municipal de Saúde de Barra Mansa, no Sul Fluminense, colheu material para exames de seis pessoas que trabalham com a primeira paciente diagnosticada com o novo coronavírus no estado do Rio.

 

Ela é uma mulher de 27 anos, funcionária da prefeitura da cidade. Segundo o secretário municipal de Saúde, Sérgio Gomes, todos são funcionários públicos e também apresentaram sintomas de gripe.

 

Os outros servidores da repartição onde a paciente trabalha foram afastados e estão em isolamento domiciliar. A secretaria também fará exames em todos os familiares da paciente, inclusive o marido, que é empresário. Os dois viajaram juntos para a Europa, mas ele não apresenta sintomas.

 

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Sérgio Gomes disse que conhece o marido da paciente, que teria relatado os problemas enfrentados durante a viagem à Europa:

 

— Ele me ligou dizendo que os dois viajaram para a Itália. No dia 17 de fevereiro, ela apresentou sintomas de uma sinusite leve. Três dias depois, quando estavam em Portugal, os sintomas se acentuaram. Com congestão nasal, febre e dor de garganta, a mulher foi medicada com antibiótico e melhorou — relatou o secretário.

 

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Na sexta-feira passada,  o secretário recomendou que os dois procurassem um médico. A suspeita foi notificada à Secretaria estadual de Saúde, e o material colhido para exames e encaminhado para a Fiocruz.

 

Apreensão na vizinhança, mas sem alarde

O primeiro caso de Covid-19 causa apreensão na cidade de pouco mais de 170 mil habitantes, vizinha de Volta Redonda.

 

No bairro Santa Rosa, onde mora a mulher que contraiu a Covid-19, o clima é de preocupação sem alarde. Com ruas tranquilas e residências de classe média,  o Santa Rosa está vendo a rotina mudar.

 

A estudante de enfermagem Brenda França, de 19 anos, não acredita na explosao de casos na cidade.

 

— Acredito que a população tome os cuidados devidos com a higiene. Acho que os casos de coronavírus serão semelhantes aos de outras gripes.  Me preocupo muito mais com a dengue,  a chicungunha e o sarampo — disse Brenda.

 

Para a professora Tania Diniz, que trabalha em uma creche do bairro, o momento é de redobrar os cuidados. Ela diz que os pais dos alunos estão mais atentos e cobram da escola medidas de higiene.

 

— O importante é  se cuidar e manter a calma. Na escola, o álcool em gel está sempre à disposição das crianças — diz a professora.

 

O produto, por sinal, sumiu das prateleiras das farmácias. Fábio Alves, gerente de uma drogaria localizada no bairro Ano Bom, diz que a procura aumentou desde a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus do Estado do Rio, na quinta-feira.

 

— Muita gente veio procurar álcool em gel. Espero receber outro carregamento até amanhã (sábado). Como não estamos conseguindo atender a todos, a rede de farmácias vai passar a manipular o produto — avisou o gerente.

 

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Edson Florêncio Júnior, de 43 anos, dono de uma barraquinha de pastel, disse ter percebido uma redução no número de pessoas que procuram diariamente a Santa Casa local.

 

— As pessoas estão assustadas por causa desse caso. Devem estar evitando vir aqui. Só em caso de urgência mesmo — diz o comerciante.

 

Um funcionário dele, um jovem de 20 anos, ficou com medo e faltou ao trabalho.

 

— Ele disse que estava com medo de vir trabalhar por causa do coronavírus. Sobrou tudo para mim — reclamou.

 

Força-tarefa para contenção do vírus

Chegou nesta sexta-feira uma força-tarefa da Secretaria Estadual de Saúde para auxílio no bloqueio ao coronavírus em Barra Mansa.

 

O grupo especial é formado por profissionais do Centro de Informação Estratégicas de Vigilância em Saúde (CVIES), que darão apoio às equipes municipais e checarão se todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde estão sendo seguidos.

 

O secretário municipal de Saúde também informpou que a cidade recebeu 15 kits diagnóstico e 12 análises serão feitas. Três familiares da paciente e três colegas de trabalho, farão exames. No entanto, segundo Sérgio Gomes, ninguém apresentou sintomas.

 

Na Santa Casa, médicos, enfermeiros e funcionários, em cumprimento ao protocolo do Ministério da Saúde, estão usando máscaras de proteção. O equipamento também está sendo oferecido para os pacientes.

 

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